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O geógrafo e pensador Ruy Moreira, leva-nos a refletir para entendermos esse universo, ressaltando três pontos importantes que caraterizam a cultura ocidental e que hoje, por força da globalização, atinge todo o mundo.
A busca de respostas que possam originar o convívio entre os homens, o desenvolvimento humano, de forma a preservar os recursos naturais para gerações futuras, vem sendo intensificados desde 1972, na Conferência de Estocolmo, com representantes de 113 países, 19 órgãos intergovernamentais e 400 organizações intergovernamentais e não governamentais, contribuíram para fomentação de questões relativas à preservação ambiental e o desenvolvimento da qualidade de vida. Esta conferência lançaria “um novo movimento de libertação” que, segundo alguns, só poderia ser alcançado cultivando um novo tipo de saber, calcado na pesquisa e integração das diversas áreas do conhecimento. Este grito de alerta lançado pela ONU, continuou nos anos posteriores e chega até os dias atuais com a organização de vários fóruns sociais promovidos tanto por organismos governamentais, como pela sociedade civil, todos empenhados na busca de um novo tipo de saber capaz de promover o retorno da NATURIZAÇÃO DO HOMEM. Para tanto é fundamental que as Universidades que se configuraram como uma caixa aglutinadora de conhecimentos, procurarem a sua própria essência que corresponde a sua origem latina UNIVERSITAS UNIVERSITATIS, ou seja, a Unidade na Diversidade.
Os estudos sobre o Cerrado, enfatizando alguns dos seus aspectos abióticos e bióticos, sugerem que este domínio deve ser entendido como um Sistema Biogeográfico, composto por diversos subsistemas intimamente interatuantes. Os aspectos evolutivos dentro da paisagem geral da flora brasileira, desperta a necessidade de se repensar os modelos de planejamento ambiental e organização do espaço utilizados até então.
Ocupa as partes mais elevadas do Sistema, de morfologias planas, denominadas regionalmente chapadões ou campinas. Há forte ventilação durante quase todo o ano e a temperatura em geral é mais baixa que nos demais subsistemas. A rede de drenagem é insignificante. `As vezes aparecem pequenas lagoas, algumas perenes. A vegetação é arbustiva esparsa e há uma composição graminácea intensamente distribuída pela área. Durante o Pleistoceno Superior, possivelmente esse Subsistema deveria abranger espaços geográficos maiores. Sua presença atual pode ser explicada por fatores estruturais desolo, como também associada a micro climas especiais, ainda não totalmente refeitos da agressão climática do Pleistoceno Superior.
Este Subsistema constitui a paisagem dominante do Sistema. Ostenta um estrato gramíneo, mas diferencia do campo pela ocorrência de árvores de pequeno porte e aspecto tortuoso, explicada pela teoria do escleromorfismo oligotrófico. A rede de drenagem é boa e os solos são de baixa fertilidade natural, mas não são uniformes. Há formações de cerrado que ocorrem em latossolos avermelhados como também em solos arenosos, exemplo: sudoeste de Goiás e oeste da Bahia, respectivamente.
Este Subsistema, fisionomicamente é mais vigoros o que o Subsistema do Cerrado. As árvores atingem de 10 a 15 metros de altura e os solos demonstram maior fertilidade natural. Não há um estrato gramíneo forte como no cerrado e as árvores são mais encopadas. A rede de drenagem é bastante significativa. Antigamente alguns botânicos classificavam esta paisagem como flores taxeromorfa, hoje essa denominação foi abandonada.
Ocorre nas cabeceiras dos pequenos córregos e rios e acompanha estes pelas suas margens em estreitas faixas. Essas faixas são muito variáveis quanto à configuração. Há locais onde se alargam na forma de bosque e há outros locais, onde praticamente desaparecem, como é o caso de algumas áreas do médio Tocantins.
As cabeceiras de alguns córregos e rios são às vezes caracterizados por ambientes alagadiços, de correntes do afloramento do lençol de água, ou ainda em virtude de características impermeabilizantes do solo. Nestes locais são muito freqüentes as veredas que são paisagens onde predominam os coqueiros buriti e buritirana que às vezes se distribuem acompanhando os cursos d'água, até a parte média de alguns rios, formando uma paisagem muito bonita, conhecida pelo nome de veredas. Há um estrato inferior de gramíneas que se apresenta verde durante todo ano. Em alguns locais, o afloramento do lençol chega a formar verdadeiras lagoas, rodeadas por buritis (Mauritia vinífera).